ESCORES NA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA
Classificação ASA
O estado físico do paciente em seis classes. Não é escore somado: é um julgamento clínico, e os exemplos servem para que colegas diferentes classifiquem parecido.
Escrito e revisado por Dr. Gustavo Segobia da SilvaCRM 49131-PRÚltima revisão em 27 de agosto de 2026
- ASA I
- Paciente saudávelSem doença. Não fumante, sem consumo ou consumo mínimo de álcool.
- ASA II
- Doença sistêmica leveSem limitação funcional. Fumante, etilista social, gestante, obesidade (IMC 30–40), diabetes ou hipertensão controlados, doença pulmonar leve.
- ASA III
- Doença sistêmica graveCom limitação funcional. Diabetes ou hipertensão mal controlados, DPOC, obesidade mórbida (IMC ≥ 40), hepatite ativa, marca-passo, fração de ejeção reduzida, infarto ou AVC há mais de 3 meses.
- ASA IV
- Doença sistêmica grave que é ameaça constante à vidaInfarto ou AVC há menos de 3 meses, isquemia miocárdica em curso, disfunção valvar grave, sepse, insuficiência renal em diálise irregular.
- ASA V
- Moribundo, sem expectativa de sobrevida sem a cirurgiaAneurisma roto, trauma extenso, hemorragia intracraniana com efeito de massa, isquemia intestinal com disfunção de múltiplos órgãos.
- ASA VI
- Morte encefálica declarada, para doação de órgãosDoador em protocolo de captação.
O sufixo E
Acrescente E quando o adiamento aumentaria significativamente a ameaça à vida ou a um membro. O E não muda a classe: um ASA II operado de urgência é ASA IIE.
É o ponto que mais se erra ao anotar: o E não sobe a classe. Somar emergência como se fosse gravidade transformaria um paciente saudável operado de urgência num ASA II, e a classificação deixaria de dizer o que se propõe — o estado físico do paciente, independentemente de quando ele vai para a sala.
O que a classificação não é
Ela não prediz risco cirúrgico. É uma descrição do estado físico, e só. Existe correlação entre classe alta e desfecho ruim, mas usar o ASA como estimativa de risco é forçar a barra: para risco cardíaco existe o índice de Lee, que foi derivado e validado para isso.
Ela também não considera o porte da cirurgia. Um ASA II para herniorrafia e um ASA II para duodenopancreatectomia recebem a mesma classe — porque a classificação fala do paciente, não do procedimento.
Por que a padronização importa
A classe ASA sai na ficha, entra no faturamento e às vezes decide se o caso vai para a lista do dia ou espera vaga de UTI. Se cada anestesiologista do serviço classificar de um jeito, o número perde a função de comunicar. É para isso que servem os exemplos acima, e é por isso que eles aparecem também dentro do AVANEST, na tela da avaliação — no momento em que a escolha é feita, não num manual que ninguém abre.
Referência
American Society of Anesthesiologists. ASA Physical Status Classification System. Aprovada em 1962 e revisada; última revisão em 13 de dezembro de 2020.
Apoio à decisão, não substituto dela. Estes escores estimam risco em populações; quem avalia o paciente à sua frente é você. Confirme sempre com a história, o exame e os exames complementares.
Estes escores já vêm calculados dentro do AVANEST.
No sistema você não marca nada disso à mão: o que já foi respondido na anamnese, no cadastro e no exame físico preenche os critérios sozinho — idade, sexo, IMC, circunferência cervical, diabetes em uso de insulina. O que sobra para você é conferir.